Ceratocone: perguntas e respostas sobre a doença ocular que, sem tratamento, pode levar a cegueira


Visão normal (acima) e visão com ceratocone (abaixo). Em caso de dúvidas, o melhor caminho é procurar um oftalmologista para exames oculares. (Imagem: Living With Keratoconus).

O principal sintoma do ceratocone é a diminuição da acuidade visual, ou seja, a piora na quantidade e na qualidade da visão. Pode acontecer já na infância, mas os casos mais comuns se iniciam na adolescência e início da vida adulta.

O não tratamento do ceratocone pode levar a cegueira por descompensação da córnea e ocorrência de hidropsia, que é quando a córnea tem a camada mais interna rompida e invadida por humor aquoso (líquido interno do olho), levando a perda da transparência e severa diminuição da acuidade visual.

O médico oftalmologista Eduardo Miranda, diretor da PMX Cirurgia Oftalmológica em Curitiba, referência no tratamento do Ceratocone, responde as principais dúvidas sobre a doença.

Quais as causas da doença?

Dr. Eduardo - A doença decorre de alterações estruturais no colágeno, que é uma proteína presente em grande quantidade na córnea e que fornece resistência e manutenção do formato normal da córnea. É como se a córnea se tornasse mais enfraquecida e propensa a deformidade.

Pacientes com ceratocone tem a curvatura da córnea aumentada de forma irregular, deixando-a com o de cone. (Ilustração: National Keratoconus Foundation - EUA).

Tem cura? Como o paciente pode tratar?

Dr. Eduardo - São muitas as modalidades de tratamento dependendo do estágio da doença. Basicamente, podemos usar recursos como óculos em casos iniciais, lentes de contato dos mais variados desenhos especialmente as rígidas e também diversos tratamentos cirúrgicos como: Crosslinking, Implante de anéis intraestromais e transplante de córnea.

Sempre existe alguma modalidade de tratamento a qual o paciente pode se submeter e da qual pode se beneficiar. O oftalmologista deve estadear a doença, ou seja, classifica-lá pela gravidade da evolução e então propor um tratamento adequado.

Existem dados da incidência da doença no mundo?

Dr. Eduardo - Sim, os dados informam que existem 4 a 600 casos por 100.000 indivíduos no mundo que possuem o ceratocone.

Como é feito cada tipo de tratamento cirúrgico?

Dr. Eduardo - Crosslinking: Procedimento feito com colírio anestésico, no qual a córnea é desepitelizada, ou seja, removida a camada mais superficial e então feita irradiação com raio UV tipo A, após um período de saturação com colírio de riboflavina, que é a vitamina B12. Aproximadamente 40 minutos de duração, sem necessidade de internação.

Implante de Anel Intraestromal: Procedimento feito com colírio anestésico, em que um laser de femtosegundo cria um túnel na córnea para a entrada de um ou mais segmentos de anel intraestromal. Visa diminuir/ corrigir irregularidades da córnea. Dura aproximadamente 30 minutos e não exige internação.

Transplante de córnea: existem várias técnicas que podem fazer a troca da córnea em sua espessura total até troca de apenas algumas camadas. Procedimento mais complexo feito com anestesia local e que requer maior tempo de acompanhamento pós-operatório e indicado em casos mais avançados da doença.

Quais cuidados é preciso ter antes da cirurgia?

Dr. Eduardo - Escolha do profissional capacitado para conduzir tratamento conforme gravidade da doença e não coçar os olhos é muito importante, pois esta prática piora a evolução da doença.

Quais cuidados é preciso ter depois da cirurgia?

Dr. Eduardo - Vai depender de qual cirurgia, mas geralmente os cuidados incluirão o uso de colírios, retornos periódicos ao cirurgião e segmentos com exames.

Sobre a PMX Cirurgia Oftalmológica

A clínica de oftalmologia completa 20 anos sob a direção dos médicos Eduardo Miranda e Tatiana Possette Miranda. Clique para acessar o site.

Eduardo Miranda

Médico Cirurgião Oftalmologista (CRM 14223)

Especialista em segmento anterior do olho, possui 20 anos de experiência em mais de 8 mil cirurgias oftalmológicas. Reconhecido por sua técnica e precisão, é preceptor da Residência da PUCPR, atuando na formação de novos cirurgiões. Também integra o corpo clínico da Oftalmoclínica Curitiba.

Tatiana Possette Miranda

Médica Cirurgiã Oftalmologista (CRM 19131)

Graduação e pós-graduação na UFPR. Especialista em Cirurgia Refrativa e em Adaptação de Lentes de Contato, atende pacientes com os diversos tipos de problemas oculares, entre eles, adaptação de lente escleral para casos avançados de ceratocone.

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